Edgar Allan Poe é um dos escritores mais conhecidos e mais influentes mundialmente. Os títulos que podem ser atribuídos ao norte-americano são vários. Além de ter tido seus contos e poemas traduzidos em outras línguas por outros grandes da literatura como Baudelaire, Fernando Pessoa e Machado de Assis; coube ao Sr. Poe ser o pioneiro em materializar na literatura um personagem que faz uso de um método para solucionar problemas misteriosos. Em outras palavras, foi Poe o inventor da literatura detetivesca policial, e se ele não tivesse dado “vida” ao seu Auguste Dupin, provavelmente não existiriam outros notáveis autores como Conan Doyle e Agatha Christie.
Acontece que a influência do Sr. Poe não se limita só ao cenário literário. Desde os primórdios do cinema que a obra do norte-americano vem sendo adaptada e trazida em massa para o audiovisual. O primeiro é datado em 1908, poucos anos após os irmãos Lumière revolucionarem o mundo das artes. Até então conta-se aproximadamente duzentos filmes, e 2012 não poderia ser um ano sem um longa-metragem baseado nos trabalhos do poeta. O diretor James McTeigue, do aclamado V for Vendeta (2005), lançará pela metade do ano The Raven, filme que carrega como título a obra-prima do autor e que o apresentará interagindo dentro de sua própria obra.
Apesar de toda essa baboseira em mudar uma coisa como ela foi de fato, quero dizer, os últimos dias de Poe jamais foram da forma como propõe James, gostaria de pontuar um fator que achei de extremo valor em sua narrativa fílmica. Digo que foi inteligentíssimo da sua parte em selecionar alguns contos de Poe e colocar um único responsável e fazê-lo como assassino em série. A própria literatura do escritor sugere essa interpretação, pois a maioria das suas shorty-stories são relatadas em primeira pessoa do singular e geralmente os que comentem os crimes não dizem os seus nomes e nem determinam uma data especifica.
No entanto, existe um ponto que achei de tamanha ingenuidade estética e de aparente desespero financeiro. Nunca assisti ao Sherlock Holmes (2009, 2011), com Dowley Jr. e Jude Law, mas sei que fez um sucesso estrondoso e que rendeu milhões, e sei que narra estória de dois detetives. James está fazendo a mesma coisa, isso já foi dito. É claro também que ele deseja notabilidade e dinheiro com o seu projeto, mas creio que ele não precisava escolher um ator para encenar o seu personagem que apresentasse o mesmo aspecto físico de Law para ganhar pontos com o público.


